O setor calçadista brasileiro registrou, em dezembro, a queda de mais de 23 mil postos de trabalho, segundo dados divulgados pela
Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados). De acordo com a entidade, no mês passado, a indústria contabilizou 347.176 vagas, uma redução de 6,2% em comparação com novembro, que havia somado 370.272 empregos diretos. Já aquele mês apresentou redução de 5 mil vagas em relação a outubro. Os números estão no
Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do
MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
Abicalçados aponta para redução de 23 mil vagas em dezembro / Divulgação
“Desde julho vínhamos alertando sobre os efeitos da triangulação e sua consequente redução de empregos, que agora se confirma”, ressalta o presidente da Abicalçados,
Milton Cardoso. Os dados reforçam a argumentação da entidade na petição apresentada ao Ministério do Desenvolvimento sobre a prática de 'triangulação' nas importações de calçados - ou seja, a entrada de produtos com uma origem, mas com documentação apontando outra procedência - entregue no último dia 18 e que solicita a extensão da tarifa antidumping de US$ 13,85 - que hoje é cobrada de calçados importados da China - também contra produtos provenientes do Vietnã, Malásia, Hong Kong e Indonésia, e de partes de calçados da China para montagem no Brasil.
Em 2010, foi registrada a elevação de 23% do quantum das importações. Este percentual (soma de pares de calçados e cabedais e a quantidade em quilos de partes de calçados) indica que, além do aumento de compras em países não fornecedores, o importador também está recebendo itens como cabedais (parte superior do calçado) e solados. Estes materiais são completados com uma simples operação de colagem quando chegam ao Brasil. Esta é uma forma de burlar a tarifa antidumping atualmente imposta sobre os calçados chineses.