No dia 11 de março, em Buenos Aires, reuniram-se
ABIT e
FITA para tratar das questões bilaterais e multilaterais que envolvem os setores têxteis dos dois países. A delegação da ABIT, chefiada pelo Presidente
Aguinaldo Diniz Filho, contou com a participação da equipe da entidade,
Fernando Pimentel,
Domingos Mosca e
Renato Jardim e com os empresários e conselheiros,
Rafael Cervone Netto, também Presidente do
Sinditextil-SP,
Romeu Covolan da
Canatiba,
Ivan Bezerra de Menezes da
TBM, Rainer Zielasko da
Fiasul,
Luiz Arthur Pacheco de Castro da
Paramount e
José Eduardo Cintra de Oliveira da
ABRAFAS. Após a reunião, que durou o dia inteiro, o Embaixador
Enio Cordeiro ofereceu sua residência para um coquetel para todos os que participaram do encontro, brasileiros e argentinos, seguido de assinatura de um Memorando de Entendimento entre ABIT e FITA.
A Revista e site ABIT / Texbrasil Notícias entrevistou o Embaixador, que falou sobre os principais desafios e oportunidades entre as duas principais economias do MERCOSUL. Cordeiro contou também a importância da assinatura desse Memorando de Entendimento, entre outros assuntos.
Clique aqui para ver a entrevista na íntegra.
O Memorando consolidou as prioridades das duas entidades que serão exploradas de forma mais detalhada no curso do trabalho de cooperação. Destino principal das exportações brasileiras, o ano de 2009 apresentou sensível redução nos embarques para aquele país. Além da crise internacional pesou muito nesta redução a imposição de licenças não automáticas as quais trouxeram uma grande dose de incerteza para compradores e vendedores em função do extenso e indeterminado prazo de obtenção da autorização para importação. Por outro lado, o Brasil também é o principal destino das exportações têxteis dos produtores argentinos que, embora exportem menos continuam gozando de livre acesso ao mercado brasileiro. “Através da troca de informações como controle estatístico diário, know how de fiscalização aduaneira e posições comuns em acordos internacionais que possam afetar o MERCOSUL, esperamos ter um relacionamento mais produtivo, menos defensivo e elevar o nível das negociações entre os dois países para um patamar mais positivo. Afinal, temos muito mais coisas que nos unem do que nos separam” declara o presidente da ABIT Aguinaldo Diniz Filho.
A Argentina é o principal destino das exportações brasileiras de produtos têxteis e confeccionados. Em 2009, este país representou 26% das exportações (US$ 1,2 bilhão para o mundo e US$ 308 milhões para Argentina). Em novembro de 2008, foi publicada a primeira Resolução por parte do governo argentino determinando a aplicação de licenciamento não automático sobre diversos produtos do setor causando sensíveis impactos sobre as exportações brasileiras. Desde então outras resoluções foram publicadas, sendo que hoje temos 202 produtos submetidos a este regime. O resultado é que em 2009 houve queda de 36,44%, em valor, do total das exportações brasileiras de produtos têxteis em relação a 2008.
Quanto as exportações de produtos têxteis e confeccionados da Argentina para o Brasil, elas alcançaram US$ 160 milhões de um total exportado para o mundo de US$ 459 milhões. Deste total estão excluídas as vendas feitas para Zonas Aduaneiras Especiais. O Brasil foi o destino, portanto de 34,86% das vendas externas argentinas. As exportações da Argentina para o Brasil caíram 21% em 2009 comparado com 2008. A queda foi bem inferior àquela observada nas vendas do Brasil para a Argentina.
Há casos de licenças registradas que aguardam mais de 180 dias para deferimento, tempo muito superior ao previsto no Acordo de Licenciamento de Importações da
OMC que é de 60 dias. As relações melhoraram no final do ano, com a liberação mais ágil de alguns produtos, mas ainda está aquém de um comércio saudável.
O presidente da ABIT, Aguinaldo Diniz Filho, assina memorando de entendimento com representante do setor argentino. Foto: Divulgação