A taxa de antidumping, de US$ 13,85 por par, aplicada ao calçado chinês no Brasil desde setembro do ano passado estancou a entrada descontrolada deste produtos no Brasil e permitiu um novo fôlego a indústria nacional. Contudo, nos últimos meses, os produtos chineses encontraram uma mecanismo para continuar invandindo o País: a "triangulação"'. Pelo sistema, os produtos entram no Brasil tendo outra origem.
Nos últimos cinco meses, as importações de calçados da Malásia, por exemplo, tiveram um crescimento de 20.000%, saldando de inexpressivos mil pares de janeiro a maio de 2009 para mais de 2 milhões de pares, no mesmo período deste ano. O Vietnã, por sua vez, ampliou a exportação de calçados para o Brasil em 93%, chegando a 2,8 milhões de pares neste primeiros cinco meses do ano. A Indonésia também incrementou significativamente o envio de calçados ao Brasil, 37,2%, totalizando 1 milhão de pares, no mesmo período.
Diante deste quadro, a
Associação Brasileira das Indústrias de Calçados já formalizou um pedido para o Governo Federal, por intermédio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), para que seja reforçada a fiscalização destas entradas no País e também para que seja estendida a estes países a mesma medida antidumping que vale para os artigos chineses. "Não é só uma questão de defesa do calçado nacional, trata-se, também, de elisão fiscal, pois estes produtos não pagam os devidos impostos ao governo", destacou o presidente da
Abicalçados,
Milton Cardoso, durante entrevista coletiva concedida dentro da
Francal 2010.
Cardoso: defesa do calçado nacional. Foto: Divulgação
Segundo Cardoso, a expectativa é de que medidas sejam tomadas pelo governo nas próximas semanas. Para Cardoso, a taxa antidumping foi fator preponderante para que a indústria calçadista nacional retomasse seus investimentos e também voltasse a contratar. De janeiro a maio, já foram criados mais de 34,31 mil postos de trabalho no setor.
Por Mauro Moraes