Nos seis primeiros meses de 2010, a balança comercial do setor têxtil e de confecção, desconsideradas as fibras de algodão, registrou um déficit de US$ 1,5 bilhão contra US$ 972 milhões registrados no mesmo período do ano passado. Mantidas as mesmas condições, a expectativa é que o setor encerre o ano de 2010 com mais de US$ 3,5 bilhões de déficit em sua balança comercial. Estes números, de acordo com o presidente do
Sintex,
Ulrich Kuhn, devem ser analisados separando produtos manufaturados finais dos demais - chamados matérias-primas - que são tecidos, fios, fibras, entre outros.
"Se de um lado as importações totais cresceram 50% em relação a 2009, no primeiro semestre, as de manufaturados cresceram 16%, ou seja, um crescimento bem menor do que o restante", ressalta Kuhn. Sob o lado exportador, o presidente do Sintex destaca que o total do Brasil, sempre descontando fibra de algodão, registrou crescimento de 20%. Em manufaturados o crescimento foi de 9%.
Em Santa Catarina o crescimento das importações totais do setor foi de 70% e as de manufaturados de 60%. Mas, Kuhn explica que não significa que os volumes sejam consumidos pela indústria catarinense. "Novamente sob o lado exportador, as exportações catarinenses totais cresceram 9% e as de manufaturados ficaram estáveis", aponta.
A lenta recuperação dos grandes mercados importadores continua gerando gigantescos excedentes produtivos, principalmente nos países asiáticos; o crescimento de demanda do mercado interno; um câmbio altamente favorável às importações, principalmente para os bens chamados intermediários e manufaturados; a visão global cada vez maior dos diversos segmentos: tudo isso, de acordo com Kuhn, faz com que se registrem os números atuais.
"O agravante do resultado na balança comercial, não sadia para um país como o Brasil - em desenvolvimento -, reside no desequilíbrio de custos, realidades sociais e câmbios dos grandes países exportadores", explica o presidente do Sintex. Para ele, o Brasil é comprovadamente competitivo dos portões de fábrica para dentro, em muitos casos. Porém, quando olhamos os demais aspectos fiscais, tributários, financeiros e etc. chegamos ao chamado ‘Custo Brasil’ e aos números atuais", comenta.
Reivindicações
Na pauta de reivindicações da indústria têxtil e de confecção nacional, está a implementação da agenda de competitividade, com a desoneração tributária, especialmente sobre os investimentos e a mão-de-obra; melhoria das linhas de financiamento; melhoria no treinamento e formação de profissionais; aperfeiçoamento do sistema de defesa comercial; assinatura de acordos internacionais com os grandes mercados consumidores; ações ligadas à inovação e meio ambiente, entre outros.
Preocupações
Kuhn questiona sobre o que acontecerá no momento em que as taxas de crescimento do consumo interno não sejam mais aquelas que foram até agora. Segundo o presidente do Sintex, essa é uma das preocupações de muitos setores, não só da indústria têxtil, ainda que as importações atuais não cheguem realmente a causar um grande dano. "Os sinais e fatos de uma queda na curva de crescimento estão claras. Daí reside muitas vezes a razão de discussões e análises mais acaloradas neste sentido", conclui.
(Com informações da Abit)