Notícia cadastrada em: 16/05/2011 - 17:08:17
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Abicalçados: grito de alerta aos calçadistas

A entrevista coletiva que a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) concedeu à imprensa na sexta-feira (13 de maio), na sede da Fiesp, na capital paulista, tinha como objetivo principal apresentação do Relatório Setorial da Indústria de Calçados do Brasil, elaborado pelo Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI). Porém, o tom do encontro foi de apreensão e de alerta para que o segmento não entre em uma nova crise.

Segundo o presidente da Abicalçados, Milton Cardoso, o real valorizado e a demora para a extensão a outros países da taxa de antidumping aplicada ao calçado chinês são os principais problemas enfrentados e que podem comprometer o desempenho do setor neste ano. Como não poderia deixar de ser, o encerramento da produção da Azaleia em Parobé, no Rio Grande do Sul, também esteve em pauta, uma vez que Cardoso é também o presidente do Grupo Vulcabrás, que controla a Azaleia.

Cardoso: dumping e câmbio são os maiores entraves (Foto: Exclusivo On Line)
           
Para Cardoso, o câmbio compromete a saúde das empresas exportadoras e, por consequência, cria problemas para toda a cadeia produtiva. "E esta é uma questão de fácil solução, pois vários países já mostraram que é possivel equilibrar seu câmbio e são justamente estes países que estão crescendo. Existem estudos mostram que o valor adequado para o dólar no Brasil ficaria na casa dos R$ 2,91, porém hoje está abaixo de R$ 1,60", declara. "Estamos às portas de uma nova crise", define o presidente da Abicalçados.

Na avaliação do dirigente, o Brasil deve pensar na indústria calçadista de uma maneira integrada e não se deter em situações específicas de uma ou outra empresa, fazendo uma clara alusão à unidade produtiva da Azaleia fechada em Parobé. "Minha mãe já me ensinava que peixe grande dá em rio grande", detalha, afirmando que se o Brasil que ser grande no setor calçadista tem que ser um 'player' forte no mercado mundial e pensar o segmento de forma global e com estratégias definidas.

Antidumping

Em relação à extensão da taxa de antidumping a países que estão praticando a triangulação para colocar produtos chineses no Brasil (Vietnã, Malásia e Indonésia), Cardoso lamenta a morosidade do governo federal. "Entramos com o pedido oficial em janeiro e o prazo estipulado é de três meses, porém não obtivemos nenhuma resposta. E o pior é que ficamos sabendo que todos os processos desta natureza estão parados. Ou seja, não é um problema específico do nosso pedido", afirma. "Só o que queremos é que seja cumprida a lei no Brasil, que não permite a prática do dumping, mesmo que por intermédio da triangulação", complementa.

Diante deste quadro, a criação de novas vagas no setor vem diminuindo o ritmo nos últimos meses, invertendo a curva de crescimento do ano passado. "Em abril, tivemos a criação de somente mil novas vagas, praticamente nada", avalia Cardoso. Em relação ao encerramento da produção da Azaleia em Parobé, Cardoso afirma que foi uma decisão motivada por este contexto macroeconômico desfavorável. Questionado sobre a possibilidade de voltar a produzir no Rio Grande do Sul, Cardoso afirmou que se o Estado tivesse condições fiscais e tributárias semelhantes às ofertadas, por exemplo, pelos Estados da Região Nordeste, esta seria uma opção viável. "O Rio Grande do Sul, se equiparada as condições gerais, leva vantagem em relação à qualquer outro estado pois tem o maior e mais completo cluster calçadista do mundo", enfatiza.

O presidente da Abicalçados, porém, afirmou que o setor tem tudo para voltar a crescer a gerar muitos empregos e divisas para o Brasil. "O nosso segmento se caracteriza por ser muito rápido para reagir quando conta com um cenário favorável. Se houver a barreira para a triangulação e o câmbio atingir um patamar mais razoável, não tenho dúvidas que o setor vai crescer e superar, em pouco tempo, a casa dos 500 mil postos de trabalho diretos, elevando para 800 mil o número de empregos em toda a cadeia, o que representa praticamente 10% de todo o emprego industrial no Brasil", afirma Cardoso.

Por Mauro Moraes, de São Paulo

Fonte da notícia: Exclusivo On Line
 

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