Marcelo Quadros, 44 anos, faz parte de uma seleção de estilistas que surgiu praticamente com o início das semanas de moda no Brasil (pelo menos mais próximas do que elas são hoje), no início dos anos 90. Mas, ao contrário de alguns de seus colegas, o paulistano optou por um caminho diferente. Formado em Artes Plásticas e Educação Física, foi até Paris buscar a própria identidade. Depois de um curso, voltou da capital francesa disposto a lançar seu nome no mercado. Mantém um ateliê em São Paulo e frequentemente tem sua marca registrada em colunas sociais e revistas. Veste da alta classe da maior cidade do país a celebridades. De passagem por Blumenau no início da semana, quando lançou uma coleção na loja
Secret Glam, Marcelo (na foto, com a modelo
Suzane vestindo umas de suas criações) conversou com a coluna.
Como surgiu a moda na sua vida?
Na verdade, minha formação acadêmica é Artes Plásticas na Faap, depois fiz Educação Física, que foi quando comecei a fazer roupas.
Roupas para quem?
Comecei a fazer roupas de campeonato porque eu desenhava muito bem, eEra uma pessoa que tinha uma certa criatividade. Venho de uma família com a mãe costureira. Mas nunca achei que seria estilista. Num determinado momento comecei a fazer outros tipos de roupas e conheci o Paulo Borges. Ele me convidou para participar de um evento chamado Phytoervas Fashion, em 91.
E aí já tinha se transformado em estilista?
Sim, era tudo uma novidade pra mim. Foi muito legal, eu me tornei autodidata, fui atrás de um conhecimento que era necessário. Conheci a Marie Rucki, do Studio Berçot, que vinha anualmente da França ao Brasil. Ela chegou a ver um desfile nosso, eu tinha um sócio que era o Li Camargo (irmão de Zeca Camargo), com uma marca chamada Special K. Ela nos convidou para estudar, oferecendo uma bolsa. Foi lá que me especializei.
Voltou quando?
Voltei em 1998 e lancei a minha marca. Paris foi onde descobri a minha identidade e o meu estilo. Hoje a moda é uma questão de identidade de lifestyle. Eu me inspirei, por exemplo, no Ocimar Versolato, que na época fazia este tipo de roupa, que é mais glamurosa, mais sofisticada, com toques da alta costura.
Aqui você está lançando uma coleção?
Eu trouxe uma pequena parte da minha coleção. Claro que de acordo com o perfil da loja, da necessidade. Tenho hoje 230 itens divididos em três coleções distintas. Há três anos optei por fazer um caminho diferente dos estilistas da minha geração. Eu não faço mais grandes eventos de moda. Hoje eu visto a sociedade paulistana, faço muita alta costura. Faço outro tipo de desfile.
Por que você não participa mais da São Paulo Fashion Week? É mais oba-oba do que outra coisa?
Não, não é por isso. É um evento que dá grande visibilidade e tem um custo alto para produzir. Eu optei por um outro tipo de exposição.
Qual a importância de vestir celebridades?
Além do retorno, é claro, isso está muito ligado à relação desta mulher com a marca. Eu visto, por exemplo, a Ana Paula Junqueira (socialite) e a Eliana (apresentadora), entre outras famosas. Mas também posso negar isso. Se ela não estiver dentro do que procuramos para a marca, eu digo não.
Você tem alguma loja própria?
Tenho uma loja fechada, nos Jardins (famoso bairro paulistano). E vendo em 60 pontos dos quatro cantos do Brasil. Além disso, moro em uma casa no Pacaembu onde montei meu ateliê. Lá recebo as clientes para um atendimento mais exclusivo.
Com tantos pontos de venda você conhece diversos tipos de consumidoras. Qual a diferença entre as do Sul e do Nordeste, por exemplo?
Seria uma diferença cultural mesmo. Além de que no Sul e Sudeste existe um outro biotipo, tivemos a colonização europeia. Mas não podemos esquecer que em outros estados, inclusive no Nordeste, também tivemos a mesma colonização.
Foto: Rafaela Martins