Notícia cadastrada em: 12/07/2010 - 12:18:05
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Do pretinho básico às cores vibrantes: vestuário infantil ainda mais democrático

Pense em qualquer peça que exista em um guarda-roupa infantil. Pode ser um macacão, uma calça, um vestido, uma camiseta... Agora imagine a característica mais importante eleita pela criançada. Se você respondeu conforto, acertou uma particularidade respeitável, mas que talvez não seja o alvo dos pequenos. Agora, quem respondeu cores, acertou.

A cartela de tonalidades das coleções infantis, que antes sempre traziam tons pastéis como rosa, azul e verde bebê, deu espaço para cores cítricas, como laranja, roxo e verde-limão. E não para por aí. Os pequenos influenciam cada vez mais na tomada de decisão de que roupa irão vestir. É nesse momento em que cores tidas como adultas, como o branco e preto predominantes, passam a conquistar os looks infantis de diversas marcas.

Em um segmento que movimenta cerca de cerca de R$16 bilhões anualmente não podem faltar opções e os lojistas e fabricantes estão atentos ao gosto cada vez mais globalizado das crianças e adolescentes. O perceptível é que, assim como diz o título desta matéria, o vestuário infantil anda mais democrático, seja do pretinho básico até as cores vibrantes.

Coleções para todos os gostos puderam ser conferidas na 35ª FIT 0/16 - Feira Internacional do Setor Infanto-Juvenil e Bebê, que aconteceu entre os dias 22 e 25 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo. Ao todo, 170 marcas mostraram as principais tendências da moda Verão. "Durante os quatro dias de feira recebemos cerca de 20 mil visitantes e estimamos um faturamento em torno de R$ 200 milhões em negócios gerados", afirmou Humberto Rebonato, um dos idealizadores do evento.

Crianças influenciam na decisão de que roupa usar e democratizam vestuário com cores que antes não eram encontradas nos guarda-roupas dos pequenos.
Foto: Divulgação
    
Pela primeira vez na FIT, a marca Monnalisa exibiu nas araras de seu stand uma coleção diferenciada, em tons de cinza, prata, champagne e nude de rosa e lilás. "A coleção é divertida, cheia de detalhes, elaborada com um ano de antecedência por 34 estilistas em Arezo, na Itália. Nós recebemos o primeiro mostruário deles e a partir daí desenvolvemos a própria coleção no Brasil, sempre sob a supervisão internacional", contou Lilia Santos Brandão, diretora da grife. A marca possui uma fábrica em Minas Gerais e emprega cinquenta pessoas. "Estamos construindo ainda um galpão onde devem ser empregados mais 50 funcionários", complementa. A Monnalisa é a maior empresa de roupas infantis do mundo.

Lilia Santos Brandão, diretora da Monnalisa. Foto: Divulgação
    
Já a marca Colibrink, voltada ao segmento de moda bebê e a Grow Up, focada no segmento Kids (4 a 12 anos), usam e abusam de uma diversificada cartela de cores, utilizando desde as mais sóbrias até tonalidades mais fortes. "O infantil antigamente era muito mais 'pastelzinho', mas hoje não mais. Os bichinhos aos poucos estão sendo deixados de lado. As crianças estão se tornando mini-homens e mini-mulheres, são mini-adultos. Algumas empresas inclusive fazem o mesmo produto para pais e filhos, isso é tendência", indica Eduardo Guelfi da Cruz, diretor comercial da Colibrink e da Grow Up. Juntas, as grifes possuem hoje 104 funcionários diretos e uma fábrica em Cascavel (PR), onde são produzidas de 15 a 18 mil peças ao mês que abastecem quase todos os estados brasileiros.

Eduardo Guelfi da Cruz, diretor comercial da Colibrink e Grow Up. Foto: Divulgação
     
A tendência apontada por Eduardo Guelfi pode ser vista, por exemplo, na marca UpMan Kids. A empresa possui tradição de 20 anos em underwear masculina adulta, mas há cinco anos inseriu a grife também no segmento infantil. "A linha surgiu da necessidade percebida por nosso diretor ao procurar cuecas diferenciadas para seu filho. Foi neste momento em que o empresário notou que o mercado tinha apenas peças mais tradicionais, verdinhas, azulzinhas, branquinhas, slip, de elástico... Daí nasceu a linha para as crianças, onde trouxemos cores e estampas que antes remetiam apenas aos adultos", explica Luciana Frezza, estilista da UpMan Kids.

"Hoje trabalhamos em duas frentes: uma bem infantil, com estampas de personagens, como dinossauros, e outra que traz as mesmas estampas para pais e filhos, com produtos que exibem cruzadinhas, jornais, mapas mundi, o metrô de Nova Iorque, entre outros. As mães olham e se divertem ao ver o filho com a mesma underwear do pai. Já o filho enxerga nas peças um modo de aproximação fraternal, tido como exemplo para os pequenos", aponta a estilista.

“Eu já não sei se a criança quer se vestir como o pai ou se os pais que querem se vestir como os pequenos. Os adultos pedem, por exemplo, as cuecas super coloridas que temos apenas na linha infantil! Hoje isso é livre, a moda é muito democrática, sem restrições", analisa. A linha com estampas e listras coloridas representa 80% da produção da UpMan Kids. Os outros 20% ficam por conta dos lisos e clássicos. Dentro destes 80%, metade é com motivos exclusivamente infantis, e a outra metade com motivos que abrangem também os adultos.

Luciana Frezza, estilista da UpMan Kids. Foto: Divulgação
        
Nascida em 2010 com um DNA interativo, global e cibernético, inspirado nos meios de comunicação preferidos pelas adolescentes, como o MSN e o Twitter, a nova marca do grupo Tex Cotton, Authoria, estreou na FIT com a pretensão de fisgar as garotas que procuram na moda uma forma de expressão, com looks traduzidos para o seu universo particular. As peças exibem elementos decorativos como paetês, babados, tachas e pedrarias, aliados a materiais confortáveis, como malhas de algodão e jeans. "A Authoria lançou 160 modelos, com expectativa de venda de 70 mil peças logo para a primeira coleção. A cartela de cores gira em torno do branco e preto, com inserções de coral, turquesa, rosas e marinho, além de algumas estampas para dar alegria às meninas", conta Cláudio Imianowsky Jr., gerente comercial da marca.

Cláudio Imianowsky Jr., gerente comercial da Authoria. Foto: Divulgação
    
Outra grife que possibilita que o vestuário das crianças seja ainda mais democrático é a Animê, definida pelas estilistas Patrícia Micheluzzi e Ana Paula Godoy como 'uma marca infantil, mas não boba'. "As roupas têm informação e estrutura de moda, com customização das peças que dão um diferencial. Nos inspiramos não apenas no universo infantil, mas também no universo adulto, abrangendo o que é moda, o que é fashion. É para uma criança antenada, que escolhe sozinha o que vestir, que se inspira na mãe, na irmã mais velha, no mundo adulto, porém sem deixar o lúdico de lado", contam as estilistas.

As cores, em determinado momento, são frescas e enérgicas, transitando pelos tons de fúcsia, chiclete, rosa, verde báltico e turquesa. Depois são suavizadas pelo clássico Cruise, com marinho, branco, nuances de índigos e corais. "Podemos ter um look preto, mas o equilibramos com um laço, com uma aplicação de algum personagem anime ou um broche, para remeter à infância", apontam. "Estamos com fast fashion, onde a cada mês temos uma nova coleção com 30, 40 peças com cores alegres e algumas mais neutras, abrangendo um público bem grande do norte ao sul do País", completam.

As estilistas da Animê, Patrícia Micheluzzi e Ana Paula Godoy. Foto: Divulgação
  
Fonte da notícia: ABIT
 

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