Espaço será aberto ao público em 30 de novembro, com visitação gratuita até fevereiro.
Com a presença de diretores e representantes da família, autoridades e convidados, a
Companhia Hering inaugurou na noite de segunda-feira, 22 de novembro, em Blumenau, a exposição “Tempo ao Tempo”. O acervo histórico e multimídia integra o projeto do
Museu Hering, que retrata os 130 anos da empresa e a saga dos Hering desde que chegaram da Alemanha, em 1878.
Museu Hering / Charles Steuck
O espaço cultural abrirá à visitação pública a partir de 30 de novembro, com atendimento de terça a sexta-feira, das 9 às 18 horas e aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 16 horas. O acesso será gratuito nos três primeiros meses de visitação (até fevereiro de 2011). O endereço é à Rua Hermann Hering, 1790 – Bairro Bom Retiro – Blumenau/SC.
A solenidade de inauguração foi cercada de emoção e orgulho por parte dos familiares. Um momento marcante foi o descerramento da fita inaugural pelas descendentes do fundador
Hermann Hering: a neta
Annemarie Hering Prayon (100 anos) e a bisneta
Isolde Tavares D’Amaral (93 anos), ambas acompanhadas de seus filhos,
Hans Prayon (presidente do Conselho Consultivo) e
Carlos Tavares D’Amaral (diretor administrativo).
Museu Hering / Charles Steuck
O presidente da Companhia,
Fábio Hering (tataraneto) e o presidente do Conselho de Administração,
Ivo Hering (bisneto) também participaram da cerimônia, ao lado de outros descendentes.
Carlos Tavares D’Amaral destacou a inauguração como mais uma conquista no ano do 130º aniversário. Em 2010 a Hering recebeu premiações importantes e consolidou os resultados financeiros e a sua marca no cenário da moda e do varejo. “Essa inauguração vem fechar com chave de ouro um ano de grandes realizações, num projeto que cultiva e preserva a memória da família e a trajetória da empresa”, disse.
Para Ivo Hering, o evento cumpre um legado de seu pai,
Ingo Hering, que nos anos 80, no centenário da
Cia Hering, deixou registrado em uma carta o desejo de que a história da Hering fosse reunida em um museu. “Temos trabalhado no resgate do passado, reunindo e organizando o acervo, para concretizar esse desejo. A Hering, com esse projeto, valoriza seu passado e se fortalece ainda mais para pensar o futuro”, afirmou.
Tempo ao Tempo
A Exposição “Tempo ao Tempo” espelha a trajetória de vanguarda que a Hering sempre teve no cenário brasileiro da moda, da indústria, da economia e da responsabilidade socioambiental. O passado está representado em equipamentos, peças de roupas, tecidos e aviamentos, estampas e embalagens, documentos e fotografias.
Mas a proposta do Museu Hering é ser um espaço multiuso, interativo, criativo e crítico, moderno e atual, que associe a preservação das referências históricas com o conceito de inovação da marca dos dois peixinhos. Um lugar em que a visitação dê lugar à observação, à experimentação, ao conhecimento e ao questionamento sobre aspectos da história, empreendedorismo, criatividade e outros que permeiam a cronologia da Cia Hering.
Museu Hering / Charles Steuck
Painéis expositivos mostram como a história da Hering fluiu paralelamente à evolução de Blumenau e de Santa Catarina. Equipamentos multimídia (terminais touchscreen) permitem ao visitante conhecer a memória da empresa e a opinião das pessoas que fizeram e fazem a história da Hering. Um expositor bastante criativo explora a evolução da moda íntima. No espaço de customização o visitante pode conhecer o processo de criação e o sistema
hotstamp, criando suas próprias opções de estampa.
Dualidade
De acordo com a museóloga
Marília Xavier Cury, da Universidade de São Paulo, convidada pela Hering para desenvolver o projeto, o acervo destinado ao Museu segue duas linhas de informação. Uma é a história da família Hering, com biografias, fotos, genealogia e documentos. A outra é voltada para a história da empresa e seus desafios, o empreendedorismo dos fundadores, maquinários e tecnologias empregadas para produzir peças que desde sempre estão presentes na vida dos consumidores.
Museu Hering / Charles Steuck
Das primeiras peças produzidas até os dias atuais e o foco voltado para a construção de marcas e canais de distribuição, tudo está contemplado no Museu, que também se propõe a ser um ambiente cultural, de eventos e atividades que contribuam para a democratização da educação e do lazer. Informação, referências da moda e curiosidades estão presentes.
Equipe
Na coordenação da Exposição Tempo ao Tempo, há uma equipe técnica que terá como desafio, identificar oportunidades de fazer do espaço museológico, uma possibilidade de construção de cultura, lazer e entretenimento. Os profissionais têm formação em história, artes e técnico em estilismo. Uma das historiadoras tem mestrado na área e a pessoa que atuará na customização é tecnóloga de vestuário. Na equipe há pessoas com domínio de inglês e alemão.
Um dos monitores é o mecânico
Sido Stribel, que trabalhou na Cia Hering por 41 anos – entre 1948 e 1989. Começou como aprendiz e saiu aposentado. Em 2010, aos 76 anos, foi chamado para uma missão: restaurar o tear circular manual de fabricação francesa, uma relíquia do patrimônio da Hering, importado em 1889. Esta peça está na exposição e os visitantes podem manuseá-la para perceber como era produzida a malha das primeiras camisetas Hering.
Sido lembra que, durante sua história na Hering, ajudou a fabricar 158 teares, numa época em que a importação era difícil e o Brasil não tinha tecnologia. “A companhia importava os cilindros e agulhas e a parte externa nós fabricávamos, com moldes que nós mesmos criávamos”, conta.
Restauro
Para abrigar a exposição, a Hering fez o restauro de uma casa enxaimel que integra o complexo da companhia, no Bairro Bom Retiro. O imóvel de 435 metros quadrados foi construído no final do século 19 e é patrimônio tombado pelo Estado. O projeto da Exposição “Tempo ao Tempo” foi aprovado pela
Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, com aporte integral da Cia Hering, no valor de R$ 1.089.898,00.