O evento reuniu o arquiteto e designer gráfico
Carlos Perrone, o estilista
Ronaldo Fraga e o designer
Marcelo Rosenbaum em Pomerode no dia 19. Após a apresentação de cada convidado, eles participaram de uma sabatina com o público e falaram sobre cultura brasileira e identidade própria. Realizado pelo Orbitato – Instituto de Estudos em Arquitetura, Moda e Design, Diálogos Criativos reuniu cerca de 200 pessoas, dentre elas, industriais, estúdios de design, fotógrafos, escritórios de arquitetura, entre outros.
Celaine Refosco, diretora do
Orbitato, abriu o encontro falando da importância em se discutir o papel e a influência do Brasil atualmente no mundo. O país está sendo “descoberto” tanto pelos outros como pelos próprios habitantes, o que traz outras questões, como o desenvolvimento sustentável e a educação. Sobre o trabalho do Orbitato, bem como dos convidados, Refosco reflete sobre a urgência de se repensar a educação para que esta seja não apenas transformadora, mas encorajadora e que faça com que as pessoas enxerguem com mais clareza suas potencialidades.
Com isto, Carlos Perrone iniciou sua palestra “
Design: portas por-onde”, em que apresentou a indústria algo intrínseco ao design, que é, essencialmente, pensado para a multiplicação. "A fábrica não é mais virtuosa que o estúdio. Não há morada única para a virtude”, disse Perrone, ao explicar que o atelier do criador é importante como “vitrine”, um local para o exercício da criação, mas que o processo industrial é crucial.
Foto: Tais Urquizar
Outro ponto chave foi a discussão sobre cotidiano e criações a partir de uma identidade nacional. O professor chama a atenção para xenofobismos como a negação de culturas externas. “Muitas vezes, o jeito que nos vendem a nós mesmos é ardiloso, caricato e falso”, alertou, mas que “o que devemos recusar não são suas culturas, mas a imagem que eles querem ter da nossa”, citando a crítica literária,
Leyla Moisés.
Após o intervalo, Ronaldo Fraga, estilista, deu continuidade ao evento mostrando aos convidados um pouco de seu processo criativo e falou sobre inspiração. “Inspiração é enxergar no insuspeito algo que nos dê a leitura do que falta”, declarou. Refletindo sobre as mudanças dos últimos 60 anos, Ronaldo atenta para o fato de estarmos há trinta anos na era da informação, em que o valor do produto está mais no que ele representa do que no que ele realmente é.
Foto: Tais Urquizar
Já Marcelo Rosenbaum, criativo do quadro
Lar Doce Lar, do programa da
Rede Globo Caldeirão do Huck, focou em trabalhos desenvolvidos junto a comunidades carentes e na importância de se estimular o que as pessoas têm de conhecimento, fortalecendo a ideia de coletivo e melhorando a vida de todos. Com projetos que geram emprego e renda nos locais em que intervêm, Rosenbaum prefere se definir como um articulador
Foto: Tais Urquizar
Ao falar de
Identidade e Cotidiano, tema desta terceira edição de
Diálogos Criativos, Carlos Perrone observou que “se olharmos para nossas memórias afetivas, encontraremos o Brasil” com composições diferentes, mas uma mesma base. Ronaldo Fraga explora isto ao contar histórias em suas coleções que partem de interesses e curiosidades próprias. Rosenbaum, ao visitar e pesquisar processos e conhecimentos pelo Brasil, descobre novos materiais e estéticas.
Foto: Tais Urquizar
Esses processos de auto-conhecimento e pesquisa levam, inexoravelmente, à inovação, o que faz com que o design seja uma peça-chave na indústria atualmente, como observou Rosenbaum ao comentar a história da indústria catarinense, que inicialmente era executora e que agora está se reinventando. Para Perrone, "design é indústria, empresa, economia, tecnologia e desenvolvimento sócio-cultural", coisas indissociáveis no mundo atual.
Para a organização do evento, este encontro foi fundamental para discutir formas de criar e integrar indústria, artesanato e autoralidade. “Estamos em um momento onde o mundo está cansado. E o Brasil tem uma vitalidade, um frescor e uma leveza que faz com que todo mundo se encante, e todo mundo quer ser encantado, o mercado quer se renovar. E para se renovar precisa de dedicação, de força vital, o que a gente tem, só precisa transformar essa força vital em um produto que responda a necessidade do mercado com sua autenticidade. Acho que isso faz falta no mercado e isso os catarinenses podem ter. Essas duas pessoas (Ronaldo e Marcelo) fazem isso nas suas carreiras muito bem e o fato de eles usarem a indústria como editora é uma coisa muito inteligente.”, diz Celaine Refosco.
Saiba mais:
www.orbitato.com.br