Notícia cadastrada em: 10/05/2010 - 10:20:12
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Ulrich Kuhn, Presidente do SINTEX

Qual sua análise sobre o crescimento da Texfair, que esse ano apresenta sua décima primeira edição? Qual a expectativa do número de visitantes e de expositores nessa edição da feira?

A “Texfair – Feira Internacional da Indústria Têxtil”, que está em sua décima primeira edição, desempenha, desde sua primeira realização, um papel muito importante para o desenvolvimento de Blumenau e de toda a região contribuindo para geração de empregos, divulgação da cidade e também para o turismo de negócios, incentivando a indústria de turismo local e também a indústria têxtil, além de incentivar os cursos de moda da região.

O evento foi o principal motivador para a revitalização da Proeb e para a criação do Distrito Turístico da Vila Germânica, inaugurado em maio de 2006 e que gerou ótimos resultados, pois já em 2007 o parque recebeu 93 eventos.

Durante sua realização a região recebe cerca de 30 mil visitantes de todo o país e também do exterior; além de Blumenau, as cidades vizinhas são beneficiadas, pois muitos visitantes se hospedam em outras cidades e aproveitam para fazer roteiros turísticos.

A expectativa para este ano são 200 expositores, que representam cerca de 400 das melhores marcas de cama, mesa, banho, vestuário, malharia e decoração.

Quais as ações de intercâmbios comerciais e tecnológicos entre expositores e compradores de vários países nessa edição?

Mais uma vez, o SINTEX - Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau, em parceria com a FIESC - Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, realiza o Programa Al Invest, que trará compradores de empresas europeias interessadas em fazer negócios com fornecedores brasileiros. Os visitantes terão uma agenda personalizada baseada em seus interesses comerciais. Na edição de 2009, a Texfair recebeu representantes de 13 empresas europeias no Programa Al Invest e foram realizadas 100 reuniões de negociação.

O Programa Al Invest foi criado em 1994 pela Comissão Europeia e consiste em uma rede de operadores com a missão de facilitar e fortalecer a cooperação econômica entre a Europa e a América Latina.

Como nas edições anteriores, a Texfair 2010 também promoverá ações de intercâmbios comerciais e tecnológicos entre expositores e compradores de vários países: as Rodadas de Negócios. Os encontros serão promovidos pela ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, por meio do Programa Texbrasil - Programa Estratégico da Cadeia Têxtil Brasileira, criado em parceria com a Apex-Brasil – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, órgão do governo federal.

O Sintex apóia o Projeto Comprador, um programa financiado pela Comissão Européia, que traz à Texfair sua segunda edição em Santa Catarina. Qual a importância do projeto?


A presença de compradores estrangeiros durante a feira otimiza as expectativas quanto à solidez e à qualidade das ações comerciais a serem iniciadas na Texfair.

A penetração de produtos chineses no mercado interno é uma grande preocupação do setor têxtil. O tema já chegou até o Congresso, com a entrega de um manifesto em defesa dos fabricantes brasileiros. Como o Sintex avalia a geração de empregos na indústria têxtil na região de Blumenau?

O mundo mudou e a Ásia hoje domina o processo têxtil. E a tendência é que a Ásia domine cada vez mais por uma questão puramente de custo, de condições macroeconômicas, de câmbio, de política de governo, enfim de uma série de linhas.

Os principais diferenciais dos produtos catarinenses no mercado são qualidade, rapidez, estilo, logística, flexibilidade. Mas, só isso não é suficiente para concorrer com a pressão do custo, que muitas vezes é superior aos diferenciais que o produto possui.

Não significa que a indústria têxtil catarinense vai desaparecer, não é isso. A concorrência, a importação vai ter gradativamente uma participação maior. Mas isso é uma realidade. Da mesma forma que não existe mais indústria têxtil nos Estados Unidos, muito pouco na Comunidade Européia, a indústria têxtil se desloca.

Daqui a 10, 15 ou 20 anos, o Brasil pode ser ainda um grande produtor têxtil, mas Santa Catarina talvez não seja. A indústria vai migrando para polos mais econômicos, isso são conseqüências de uma evolução socioeconômica normal. Nenhum estado alemão, nenhum país da Europa quis deixar de ser produtor têxtil. Não por vontade própria, nem por falta de capacidade. Vamos questionar a capacidade produtiva européia? Não. É inquestionável, mas as realidades econômicas transferem certo tipo de indústria para países em outro grau de desenvolvimento.

Para o governo brasileiro, lamentavelmente, a indústria têxtil não é prioritária. Deveria ser, mas não é. Ela é a segunda maior geradora de emprego na indústria de transformação brasileira.

Blumenau detém liderança como polo produtor do segmento de cama, mesa e banho. O que vem sendo feito pelas indústrias em termos de capacitação dos funcionários e modernização do parque fabril para que o polo têxtil catarinense mantenha sua vocação?

As indústrias têm o desafio de se atualizarem constantemente, tanto em capacitação de funcionários como em investimentos tecnológicos. Podemos citar o bom exemplo do SENAI, que através do ensino aprendizado vem ajudando no aperfeiçoamento de funcionários em diversas áreas do setor têxtil. Apesar disso, o custo Brasil, o câmbio e os juros, ainda atrapalham a rapidez desse processo. Mesmo assim vemos que a atualização não deixa de acontecer e em boa parte de Santa Catarina as empresas têm investido continuamente na área tecnológica e no aperfeiçoamento dos funcionários.

Na sua opinião, quais são os desafios que o setor têxtil catarinense deve estar preparado para enfrentar a longo prazo?

Santa Catarina é o maior produtor brasileiro de manufaturados têxteis. É o maior produtor nacional de cama, mesa e banho e de artigos de vestuário. O estado foi o primeiro exportador de manufaturados têxteis, isso lá no final da década de 60, e virou sinônimo de qualidade entre o mercado comprador mundial. Dessa realidade do passado, mantivemos a imagem só que o tamanho da importância no mercado exterior é infinitamente menor do que era no passado. Muito pelos problemas macroeconômicos brasileiros, a excessiva apreciação do Real, o custo Brasil, os diversos pacotes econômicos, barreiras comerciais...

A carga tributária brasileira também é exagerada. Eu diria que é uma das cargas tributárias mais altas do mundo e o pior: recebemos muito pouco em troca dessa carga tributária. E quanto maior forem os elos produtivos, maior a carga. É o caso do setor têxtil, que começa com o algodão, o fio, o tecido, vai pra confecção, tem os acabamentos finais, enfim, tem uma série de elos. Se você olhar todos os impostos diretos e indiretos que incidem em uma peça de roupa, por exemplo, você tem 53% de impostos no teu produto final. Então, você compra R$ 100,00 em roupas e está pagando R$ 53,00 só de imposto, dos mais diversos tipos possíveis e imagináveis que estão embutidos neste processo. Então, este é um dos dramas do custo Brasil.

O Portal mídiamoda surge como um canal pioneiro da Indústria da Moda de Santa Catarina cujo objetivo é levar conhecimento segmentado e gerar novas oportunidades de negócios. Como o Sintex avalia essa iniciativa?

Parabéns pela iniciativa. As fontes de comunicação que surgem com a ideia e objetivo de disseminarem o conhecimento sobre a nossa indústria merecem todo reconhecimento.

Por Guilherme Gomes Ferreira (MTB 5793)

Ulrich Kuhn, Presidente do Sintex. Foto: Divulgação
 

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