Notícia cadastrada em: 26/10/2010 - 17:35:18
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Susana Pabst , Editora-Chefe e Fotógrafa da Revista NANU!

Como surgiu a ideia de montar a Revista Nanu? E qual o significado do nome?

Surgiu da minha paixão por fotografia e, por consequência, por publicações com conteúdo de imagem diferenciado e menos comercial. Pensei em publicar as fotos que fazia em uma revista virtual, a qual dei o nome de NANU! que é uma expressão alemã de surpresa ou estranhamento. Optei por esse nome em razão da proposta da revista, que consiste numa visão menos convencional da fotografia e da moda. Além disso, é um nome curto e simples.

Quais as dificuldades que você encontrou na criação da Revista? E como foi a passagem do meio online para ser um veículo também offline?

As dificuldades, de início, se resumiram em fazer as pessoas entenderem a minha ideia e o perfil da publicação. Na verdade foi uma coisa bem experimental mesmo, que precisava evoluir. A passagem do meio online para o impresso foi uma consequência natural daquela vontade que todos temos de fazer crescer um projeto pessoal, até porque considero uma revista impressa superior à virtual. Ver imagens no papel é infinitamente melhor do que na tela do computador. Apesar dos altos custos, foi possível começar com uma tiragem menor e, aos poucos, conferir credibilidade ao veículo.

A Nanu! se diferencia por utilizar não modelos na capa e ensaio. De onde surgiu a proposta?

A proposta surgiu de uma curiosidade que eu tinha de ver pessoas comuns posando para editoriais de revista, onde só há espaço para modelos e celebridades. Eu estava fotografando conhecidos meus na época e reparava muito na consequência psicológica causada por um ensaio mais conceitual, que não ficasse parecendo o famoso "book" ou coisa do gênero. O fato de uma pessoa se enxergar em um contexto fora da sua realidade gerava grande expectativa e diferentes resultados. Ainda mais se o trabalho fosse publicado.

De outro lado, acho que a moda, assim como a arte, é um fenômeno cultural que pede cada vez mais a interação com o público, que não quer mais ser submetido a normas, tendências e noções do tipo "pessoas comuns de um lado e o intangível mundo da moda de outro". A mídia vem, ao longo do tempo, causando estragos por ressaltar repetidamente essa ideia.

Susana Pabst , editora-chefe e fotógrafa da Revista NANU! / Divulgação
       
É correto dizer que a Revista tem o foco voltado para a moda como comportamento? Você acha que essa é uma tendência atualmente?

A moda sempre foi um fenômeno ligado ao comportamento e à arte. Em relação à última, existem inúmeros exemplos disso, que passaram a ficar mais evidentes a partir da década de 80, quando a arte finalmente absorveu a cultura de consumo. Hoje acho que podemos afirmar que o comportamento está ditando as regras muito mais do que em qualquer período. A moda está se voltando para o novo consumidor, que é ao mesmo tempo autor daquilo que consome, pois indiretamente está participando do processo criativo. Veja os blogueiros, são eles que estão criando tendências e são convidados para grandes desfiles para emitirem uma opinião. É preciso estar em sintonia com um público especial que está cansado de bens efémeros e de conteúdo raso, e quer, ao contrário, bens estimulantes, diferenciados, e que contenham emoção estética.

O papel da NANU!, enquanto revista de moda independente, é evidenciar esse lado comportamental e experimental, trazendo também um conteúdo de imagem singular. Acredito que veículos de moda devem ser critativos e transmitir uma ideia ou conceito, não limitando a reproduzir "tendências" do mercado e a vender produtos. A NANU! procura ser uma revista de fashion art, um novo termo que expressa muito bem essa junção cada vez maior entre moda, comportamento e arte.

Como você vê o mercado editorial de moda no Brasil e em Santa Catarina?

Vejo o mercado editorial de moda no Brasil ainda muito concentrado nas grandes revistas, como a Elle e a Vogue, por exemplo, que agora passa a ser dirigida pelo grupo Condè Nast. Não é muito diferente, nesse aspecto, do resto do mundo, mas sinto falta de veículos que apresentem propostas menos convencionais. Vejo que o mercado tem potencial de crescimento, especialmente em Santa Catarina, desde que a identidade local seja explorada sem regionalismos ou academicismos, pois é fundamental que tenhamos uma visão abrangente e criativa sobre as questões da atualidade,

A Revista chega à sua 13ª edição completando 3 anos de existência. O que podemos esperar dessa edição comemorativa?

A NANU! 13 vai representar um momento de amadurecimento, onde aperfeiçoamos a nossa postura como revista de moda não convencional, e aparamos algumas arestas que precisavam ser reformuladas. Por ser comemorativa, fotografei o ensaio de capa em Berlim, protagonizado por uma não modelo berlinense. Teremos uma seção especial sobre as impressões da equipe durante a viagem, um editorial de moda fotografado em Paris, e outros que ainda não vou divulgar, porque senão a história perde a graça.
 

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