Flávia Bucker, de 32 anos, começou no mundo da moda como modelo e seguiu por esse caminho até os 16 anos. Fez outras coisas, virou bancária, mas não resistiu. Voltou para a área pela qual é apaixonada. Formada em técnica de moda pelo
Senai, em Porto Alegre, a consultora agora faz pós-graduação em produção de moda pela
Univali. Flávia é do interior do Rio Grande do Sul e trabalha há quatro anos com moda em Balneário Camboriú. É um mercado novo em Santa Catarina, mas ela não desistiu. Hoje esse é o seu mundo.
Nos grandes desfiles aparecem muitas peças que não são usadas no nosso dia a dia. Por quê?
Geralmente quando o estilista coloca uma roupa assim ele quer passar uma idéia do que vai ser a coleção dele. Muitas vezes as peças nem vão ser comercializadas. Jum Nakao tem uma coleção que ficou conhecida porque as meninas entravam na passarela com uma roupa inteira de papel e a rasgavam no local. Ele estava gerando um conceito ali. A arte está trabalhando muito próxima da moda.
No que a mulher brasileira mais peca na hora de se vestir?
Acho que as mulheres estão muito preocupadas em andar na moda e muito pouco preocupadas em criar um estilo. Eu acho que o mais importante é ter um estilo. É melhor você estar sempre com uma calça jeans básica e uma blusa Hering branca, do que estar se vestindo de vitrine. Pegar tudo que está entrando na moda e aquilo não te cair bem. Até porque, muitas vezes as pessoas não sabem como usar tudo aquilo que as propostas de moda estão mandando para a vitrine.
A consultora e produtora de moda, Flávia Bucker / Roberta Watzko
Tem como andar na moda com pouco dinheiro?
Sim, claro! Basta você conhecer seu estilo e buscar ser uma pessoa básica, uma pessoa clean e valorizar acessórios. Não tem muito dinheiro, tudo bem. É só colocar um jeans básico, uma camisa branca ou uma blusa preta, jogar um lenço, um cinto, colocar um sapato diferente, umas pulseiras.
Qual a tendência para esse verão? O que vem com tudo?
A saruel, o conceito dela veio muito forte. E ainda vai continuar a cintura alta, justamente para acertar o corpo da mulher. Porque em ergonomia, a moda já entendeu que errou muito no conceito das calças baixas. Nas cores, o fucsia foi uma cor muito falada para esse verão. É um tom entre o rosa e o vermelho, quase um melancia. Já o azul turquesa promete ser a cor do ano.
Flávia trabalha há quatro anos com moda em Balneário Camboriú / Roberta Watzko
Há muita procura por personal stylist aqui?
Eu acho que em Santa Catarina o pessoal ainda é um pouco resistente. Eu percebo que depois que a gente começa a conversar com alguém, dando algumas dicas, as pessoas começam a achar bem interessante e vêem que realmente traz um resultado. Mas, de regra geral, ainda não pegou. Em São Paulo e no Rio de Janeiro a cultura é forte. Pessoas públicas fazem muito uso de personal stylist. Isso vicia, eu queria ter uma personal para mim.
As mulheres também pedem para fazer transformação no guardarroupa?
Sim, eu faço por estações. Eu organizo peças prioritárias do verão, inverno. Aí se faz uma análise do perfil da pessoa, se ela é política, esportista, dona de casa. Você vai descobrindo as prioridades dela para determinar os lugares dentro do guardarroupa. Eu sempre deixo as pessoas opinarem porque é muito difícil quando você mexe na roupa da pessoa, parece que está mexendo num pedaço dela. É que nem cortar cabelo. É meu papel avisar se a roupa não ficou legal, mas também não posso mandar na pessoa.
Você já prestou consultoria para homens?
Sim, eu adoro! 10% do meu público é homem. Os homens estão com medo de assumir que precisam desse serviço. A moda começou forte com o masculino e depois teve uma inversão disso. Começou lá com Luis XV, que era excêntrico. Naquela época a moda era de babados, o primeiro salto, inclusive, foi feito para homens. Tem uma brincadeira do Lula Rodrigues (jornalista de moda) que diz que os homens não usam rosa, eles começaram a usar rosa porque as mulheres entregaram uma camiseta dizendo que era salmão e salmão para eles é um peixe. Então tudo certo.
Por Roberta Watzko