Notícia cadastrada em: 03/05/2010 - 18:36:23
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Aguinaldo Diniz Filho, Presidente da ABIT

O que pode ser feito para estimular a competitividade do produto brasileiro no exterior?

O que existe é uma questão de mercado onde o produto brasileiro tem sofrido desvantagens competitivas em função do câmbio e do custo Brasil. No entanto, a moda brasileira que desenvolve maior valor agregado e design diferenciado tem conseguido abrir e manter mercados em diferentes nichos tanto na Europa quanto nos EUA, Japão, Norte da África, além de América Latina. No entanto, estamos com déficit recorde na balança comercial, pois o câmbio atual incentiva as importações e inibe as exportações brasileiras. Acho difícil invertermos essa balança neste ano, pois não há previsão para o dólar subir, ao contrário, e em ano eleitoral é muito difícil aprovar mudanças estruturais que o Brasil tanto precisa para diminuir as desvantagens macroeconômicas como juros altos, logística cara, tributos em cascata, burocracias que atrasam os negócios, etc. As empresas brasileiras são modernas e muito competitivas, mas do portão para dentro, pois, quando o produto sai da empresa recaem sobre tantos impostos que chegam a representar quase 40% do preço final. As barreiras não são dos outros países, são do próprio País.

Ainda no campo internacional, um dos principais concorrentes do Brasil é o produto asiático. Segundo levantamento da ABIT, entre 2002 e 2009 as importações brasileiras de produtos têxteis e confeccionados provenientes da China cresceram 1.356%. Atualmente, cerca de 60% de todo o vestuário importado pelo Brasil tem como origem o país asiático. Como a indústria vê essa concorrência?

A concorrência com os asiáticos é desleal, não apenas com a nossa indústria, mas com todo o mundo. Eles mantêm a moeda forçadamente desvalorizada, mesmo tendo grandes reservas de dólares. Eles não têm encargos sociais como nós temos, ao contrário, o trabalhador asiático atua em péssimas condições, os empresários têm todo tipo de incentivo para exportar e juros subsidiados. Além disso, eles não têm as leis rígidas de meio ambiente e nem nossa cultura de responsabilidade social. Os empresários brasileiros e do mundo todo ligados à produção que ainda resistem em produzir nas condições legais, consideram desleal a concorrência que sofrem. Muitos, já estão fechando suas plantas e produzindo em outros países, gerando emprego em outros lugares.

Voltando os olhos para o mercado interno, 2010 tem sido um ano favorável? Quais as expectativas?

O mercado interno é nosso maior patrimônio e nunca esteve tão aquecido. Há boas perspectivas para o setor têxtil no mercado doméstico, e com o advento da Copa do Mundo a produção de materiais esportivos deve crescer nesse período. Contudo, a concorrência com os importados tem sido grande dentro do mercado também.

Qual deve ser o acréscimo no faturamento do segmento de materiais esportivos por ocasião da Copa do Mundo esse ano, e o que isso refletirá na geração de novos empregos?

O setor de materiais esportivos deve crescer até 15% o faturamento no período pré Copa do Mundo. Contudo, isso deve representar cerca de 4 mil empregos diretos, visto que para todo o ano de 2010 o setor estima gerar 40 mil vagas e a Copa deve recrutar cerca de 10% disso. São vagas que se abrem agora e que devem aumentar até o final do ano devido ao mercado interno aquecido.

Com relação à geração de novos empregos e aumento nos investimentos, como o senhor está vendo o polo catarinense no momento pós crise mundial?

Santa Catarina, como grande polo de cama, mesa, banho e malharia, também está sofrendo com as exportações reprimidas, mas buscando o equilíbrio com o mercado interno aquecido.

Santa Catarina concentra hoje a maior produção nacional no segmento de cama, mesa e banho. O Estado foi responsável por 21% das exportações nos primeiros quatro meses deste ano. Na sua avaliação, o que faz o polo têxtil catarinense sustentar essa liderança?

Santa Catarina é líder no ranking exportador de cama, mesa e banho porque é o maior polo produtor desse segmento que, tradicionalmente, sempre foi exportador. Contudo, hoje eles estão enfrentando as mesmas dificuldades do resto do setor, com o câmbio e os tributos.

O portal mídiamoda surge como um canal pioneiro da Indústria da Moda de Santa Catarina cujo objetivo é levar conhecimento segmentado e gerar novas oportunidades de negócios. Como a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) avalia essa iniciativa?

Desejamos vida longa e sucesso ao Portal mídiamoda e que ele possa ser mais um canal de informações sérias e confiáveis.

Por Guilherme Gomes Ferreira (MTB 5793)

Aguinaldo Diniz Filho, Presidente da ABIT. Fofo: Divulgação

 

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