Notícia cadastrada em: 30/09/2011 - 13:13:29
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Nilma Raquel: moda levada a sério

Estive há alguns dias no 7º Colóquio de Moda, em Maringá, cidade no norte do Paraná. O colóquio é o maior congresso científico de moda do país e reúne estudantes, professores e pesquisadores de cursos de Graduação e Pós-Graduação de todo o Brasil, não só os de Moda, mas também de cursos afins como Comunicação, Ciências Sociais, Administração, Design, História... Desde o primeiro encontro, as discussões já percorreram diversos estados, e nesta sétima edição foi o Cesumar - Centro Universitário de Maringá (www.cesumar.br) que ferveu durante quatro dias. A escolha não é à toa. A exemplo do que acontece na região norte de Santa Catarina, o norte e noroeste do Paraná tem uma indústria têxtil pujante que confecciona cerca de 7 milhões de peças por mês.

Foi a primeira vez que participei do colóquio e a impressão foi incrível. Sobretudo neste momento em que pretendo mergulhar academicamente na moda, objeto de estudo de meu futuro mestrado em Comunicação, queria sentir mais de perto como o assunto vem sendo tratado nas universidades. Foi reconfortante ver, no evento, muita gente séria e competente se encontrando em mesas-redondas, minicursos e grupos de trabalho e discutindo questões superpertinentes e atuais.

Uma das coisas que me impressionaram foi o espaço cedido, nas apresentações de trabalhos e discussões, para a modelagem. É sabido que muitos dos jovens que se apaixonam por um curso de moda entram no 1º período superempolgados com o desenho, com a criação, com a parte “viagem na maionese” do mundo da moda nunca se entusiasmam o suficiente com a riqueza que é uma conhecer a fundo a modelagem. E o colóquio trouxe discussões de alto nível e bastante gente interessada em aprimorar este aspecto.

Os debates sobre o assunto são imprescindíveis, uma vez que o tema é importante como todos os outros numa cadeia onde talentos e competências são interdependentes em sua totalidade, como, aliás, bem lembrou a Gabriela Lenzi na sua coluna recém-publicada aqui no mídiamoda. O bacana é que as pesquisas apresentadas voltaram-se não apenas para as coleções tradicionais, mas também para a área do esporte, lingerie e para portadores de necessidades especiais.

Ventos cheios de bons agouros sopraram também da turma preocupada com a sustentabilidade. Muitos alunos de graduação e pós debruçaram-se sobre o desenvolvimento de coleções sustentáveis em seu planejamento e execução e muitos foram os temas discutidos em torno do artesanato e da valorização das culturas locais – aliás, as culturas ali presentes estavam misturadíssimas e ouviam-se os mais diferentes sotaques, uma delícia! Tudo isso super em sintonia com os novos tempos em que diversidade é riqueza.

Mas o que eu ainda senti no ar e que acho que a moda deve perder é uma certa “vergonha de existir” no meio acadêmico. Estudantes, professores e pesquisadores de todas as áreas afins do design são, em sua maioria, sempre tão rechaçados nas academias que acabam formando guetos e assimilando um pedido de desculpas implícito por estar ali ocupando um espaço e tentando se levar a sério. E repito isso para mim mesma, que não sou originalmente da área, pois ao assumir um tema para uma dissertação de mestrado envolvendo moda, involuntariamente eu acabo me explicando demais para provar para os meus pares que, não, eu não sou fútil e meu projeto é cientificamente importante.
Ano que vem tem mais colóquio, desta vez no Rio de Janeiro. Quem vai?

Em uma das mesas-redondas do Colóquio, conheci a pesquisa interessantíssima da professora Olga Pepece. Ela analisa o comportamento de colecionadores de sandálias Melissa, relógios Swatch e tênis All Star (!!!). Ela contou histórias divertidíssimas sobre esses fashion addicteds meio obsessivos-compulsivos. E você, colecionaria algum item fashion? Aqui vai um pouco da colorida história da Melissa e modelos antigos pra você, que não é colecionador, se lembrar: http://www.melissa.com.br

Como vocês sabem, eu adoro um linkezinho. E pra não dizer que eu fiquei superalienada das semanas de moda, vai aqui o vídeo da Lady Gaga para Thierry Mugler, lançado em Paris. O New York Times achou bem mais ou menos (o filme e a coleção) e teve mais gente, além de mim, que achou os dentinhos dela na fita iguais ao da Lara Stone, mais uma entre as modelos que divulgam essa coisa de que ter dente separado é fashion. Eu, hein...

                            
Por Nilma Raquel


        
Nilma Raquel é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural pela PUC-SP e atuou durante boa parte da carreira em São Paulo. Já trabalhou em jornal, rádio, revista e TV, com passagem pela Rádio Eldorado de São Paulo e colaborações para revistas de moda e beleza como Estilo, Elle e Gloss, além da Veja, Fluir e o jornal O Estado de S. Paulo. Foi produtora e apresentadora na Furb TV, em Blumenau. Atua como jornalista freelancer e é aluna especial do Mestrado em Comunicação da Universidade Estadual de Londrina, PR.

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