Recentemente conheci um projeto incrível aqui no Paraná. Chama-se
O Casulo Feliz (
www.ocasulofeliz.com.br). É uma empresa que está na estrada há mais de 20 anos e nasceu com um objetivo louvável. O de aproveitar os casulos do bicho da seda que, imperfeitos, seriam descartados na indústria tradicional da sericicultura. O dono da empresa,
Gustavo Augusto Serpa Rocha, viu beleza na imperfeição e passou a criar fios que, tramados, proporcionariam tecidos únicos, com um aspecto que unia rusticidade e elegância, além do caimento que só a seda pode proporcionar.
Tudo em O Casulo Feliz é diferente, norteado pelos princípios do naturalismo. A intenção de utilizar os casulos que seriam descartados por não serem considerados perfeitos veio acompanhada também de uma busca pelo maior reaproveitamento possível dos descartes da produção e de procedimentos mais sustentáveis. Junto a isso, a equipe começou a buscar alternativas para o tingimento da seda, utilizando pigmentos naturais como casca de cebola, raiz de cúrcuma e sementes de urucum.
Então você pensa: “Hm, sei, mais uma dessas empresas naturebas que vende produtos ripongas”. Aí é que você se engana. Os tecidos que eu vi quando conheci O Casulo Feliz, em Maringá, são exuberantes e chiques, muito chiques. São sedas e gazes de seda, shantungs, as mais variadas e criativas tramas e mesclas utilizadas para decoração, como revestimento de móveis e paredes, além de tapetes. Isso sem falar nas roupas incríveis. Tá bom, você não confia no meu gosto. E se eu disser que
Alexandre Herchcovitch e
Isabela Capeto são clientes da empresa, usando seus tecidos nas coleções? E se eu disser que nos desfiles da
Osklen e da
Animale para o verão 2012 na
SPFW Oskar Metsavath e
Priscila Darolt incluiram as gazes e palhas de seda mescladas a tecidos tecnológicos e brilhantes, tramados nas máquinas da O Casulo, em Maringá? Confira alguns dos looks incríveis da Osklen aqui
http://elle.abril.com.br/desfiles/osklen/osklen-spfwverao2012 e aqui
http://elle.abril.com.br/desfiles/animale/animale-spfwverao2012.
A região do noroeste do Paraná é tradicionalmente de sericicultores há cerca de 40 anos. A produção declinou, e muito, nos últimos anos, principalmente – e como em toda a indústria têxtil brasileira – por causa da concorrência com os tecidos chineses. Mas um movimento organizado entre os produtores da região originou o Vale da Seda (
www.valedaseda.org.br), que com o apoio de entidades governamentais pretende incentivar a produção e promover a capacitação do pequeno sericicultor para que ele se mantenha ativo e fixo em sua propriedade rural. O projeto prevê ainda a criação de uma espécie de selo de denominação de origem, garantindo a procedência e nobreza do tecido feito aqui.
Gustavo Serpa, de O Casulo Feliz, diz que continua tendo que trabalhar muito e enfrenta dificuldades como qualquer pequeno empresário no Brasil. E quem está no ramo têxtil sabe como ninguém o que ele está falando. Mas O Casulo vem provando, dia após dia, que é possível fazer uma produção ética sem que isso signifique falta de profissionalismo e, por que não, falta de glamour. Eu mesma comprei uma echarpe maravilhosa da O Casulo – o tato da seda é incrível, vocês precisam sentir! – e vou mandar de presente de Natal para uma amiga que mora na França. Quer presente mais lindo, original, além de 100% brasileiro?
Aliás, só a lenda sobre o surgimento da seda já é uma poesia. Leia aqui:
http://www.ocasulofeliz.com.br/aseda
Por Nilma Raquel
Nilma Raquel é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural pela PUC-SP e atuou durante boa parte da carreira em São Paulo. Já trabalhou em jornal, rádio, revista e TV, com passagem pela Rádio Eldorado de São Paulo e colaborações para revistas de moda e beleza como Estilo, Elle e Gloss, além da Veja, Fluir e o jornal O Estado de S. Paulo. Foi produtora e apresentadora na Furb TV, em Blumenau. Atua como jornalista freelancer e é aluna especial do Mestrado em Comunicação da Universidade Estadual de Londrina, PR.
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