Conforme descrevi no artigo anterior, através dos estímulos externos, o Marketing ataca diretamente nosso filtro lógico, gerando principalmente o mesmo comportamento resposta: a compra desenfreada. As propagandas são abundantes e estão em todos os lugares, induzindo o indivíduo através de todos os sentidos.
Estamos sempre comprando e não conseguimos sequer nos imaginar vivendo sem fazê-lo. Querendo ou não, somos vistos e avaliados pelos demais por aquilo que possuímos ou ostentamos.
Fica fácil entender este processo quando, além do marketing excessivo, há uma brutal facilitação para a liberação de créditos e de compras. O processo industrial se intensificou e a necessidade de desova da produção é fundamental. A maneira mais eficaz de fazer isso se deu através desses dois pilares: propaganda e crédito.
O sistema capitalista sofisticou-se a tal ponto que as pessoas compram indiscriminadamente sem perceber. São cheques especiais, cartões de crédito, prestações, empréstimos e outras infinidades de modos de operação. Ele entendeu muito bem o que significa isso psicologicamente. Se o indivíduo não está com o dinheiro em mãos, não sofre em pagar mais, muitas vezes ou mesmo, sem necessidade. É a mão invisível do mercado agindo no psicológico do ser humano.
É tão verdadeiro este ponto que se a grande população dispusesse do dinheiro em mãos, a cautela seria muito maior, já que ele está “visível” e ao alcance dos olhos. Essa “invisibilidade” provocada pelos sistemas financeiros é uma grande evolução da parte dos bancos e controladores do dinheiro, pois gera alienação dos consumidores e desapego ao real valor do dinheiro, de seu salário e da dificuldade em produzi-lo. A virtualidade provoca a sensação de euforia, prazer e a necessidade do consumo. Esse distúrbio recebeu o nome de oneomania. Logo, oneomania ou oniomania, ao pé da letra, "mania de comprar" e também é utilizada para identificar os compradores compulsivos.
Outra forma de aceleramento e aumento da oneomania é o advento das compras pela internet. As compras tornam-se instantâneas e feitas de dentro das casas, assim como também os pagamentos. O sistema online confere “crédito” imediato ao comprador, que nem se apercebe que o pagamento será real na sua próxima fatura do cartão de crédito. Como essas compras são feitas rapidamente e muitas vezes através de parcelas, tudo fica praticamente imperceptível, pois nos débitos automáticos, não há mais necessidade da participação do consumidor. Basta um cartão ao usuário para que ele atenda à este prazer.
A oneomania atinge principalmente as mulheres. Segundo o neuropsicólogo
Daniel Fuentes, coordenador de Ensino e Pesquisa do Ambulatório do Jogo Patológico e Outros Transtornos do Impulso (AMJO), do
Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, a proporção é de quatro mulheres para cada homem com a doença. Também afirma que esta doença afeta 1% da população mundial.
De modo geral, a oneomania muitas vezes emerge para aliviar sentimentos de grande frustração, vazio e depressão. É um desejo de possuir, de ter poder, que fica reprimido. Daí a necessidade de possuir coisas novas como única forma de prazer.
Essa doença é mais comum do que parece e já serviu de inspiração para dezenas de filmes como "
Conduta de Risco" (com
George Clooney), que interpreta um advogado viciado em pôquer;
Woody Allen também retratou muito bem em "
O sonho de Cassandra"; "
Delírios de Consumo de
Becky Bloom" também mostra isso de forma clara. Porém, o meu preferido ainda é "
Rosalie vai às compras". Comprova-se então, que qualquer pessoa, independentemente de classe social, condição econômica e formação intelectual pode ser atingida.
O comprador compulsivo é aquele que se satisfaz não com o objeto da compra, mas com o ato de comprar. Qualquer coisa que lhe surja na frente pode literalmente virar objeto de compra e da satisfação. E o ápice de sua satisfação se dá somente no momento da compra, pois após algum tempo, os objetos podem ser abandonados porque não têm mais utilidade. Só a próxima compra o satisfará.
Um sintoma frequente está ligado ao endividamento. O comprador compulsivo adquire produtos sem parar e vai se endividando para pagar por coisas que ele não precisa. Muitas vezes já as tem em excesso, mas continua comprando. Chega a gastar todo seu salário, estoura o limite do cartão de crédito e do cheque especial e até faz empréstimos apenas para continuar adquirindo o que não lhe faz falta.
Depois de tudo isso, a pergunta que fica é: será que sou oneomaníaco?
As festas estão aí e com ela 13º salário, gratificações e outros benefícios. Eis uma boa época. Faça o teste você mesmo.
Por Giancarlo Zanotto
Giancarlo Zanotto é formado em Administração, Computação e Moda, Pós-graduado em Gestão de Negócios, Neurolinguística, Moda e Comunicação. Ainda é Consultor de Marketing e atua na área de Desenvolvimento de Novos Produtos e Coleções. Também é diretor da Shout, empresa focada em design e inovação em produtos, serviços e embalagens: www.shout.tc
Artigos assinados são de responsabilidade dos autores, não expressando necessariamente a opinião do Portal mídiamoda.