Dias desses fui ao supermercado. Questão comezinha do cotidiano. Além das habituais compras, tomo meu cafezinho e encontro vários amigos. Costumo brincar que ali é um lugar de confraternização, assim como a cozinha de minha avó, para onde todas as visitas são conduzidas.
Tinha tudo para ser um dia como qualquer outro. Só que desta vez, o cenário mudou. Meu olhar foi atraído por um objeto e sua possuidora: uma moça carregando uma bolsa
Goyard (creio que uma St-Louis). Tanto a bolsa, quanto a moça eram lindas. Ambas desfilavam chiques, sem alarde, uma complementando a outra.
O que mais me chamou a atenção foi essa mistura entre o trivial das compras e o luxo discreto, despretensioso. Em minha opinião, isso sim, é Hi-Lo... (o luxuoso e caro misturado com o simples e barato, que nesse caso é o ato de ir ao mercado). Ali não se via nada de ostentação como bolsas (e roupas) cheias de informação, ou com a logo trabalhada pelo
Takashi Murakami (
www.takashimurakami.com). Nada contra, é claro, pois respeito muito o trabalho dele.
A Goyard (
www.goyard.com), hoje a maior referência de luxo no segmento de malas e bolsas, é uma marca francesa que se tornou a essência do hype mundial. Abriu sua primeira loja em 1853, na lendária
Rue Saint-Honoré batizando-a de “La Maison Goyard”. A principal identidade da marca é justamente aquela simples elegância, típica da aristocracia europeia. Podem-se personalizar os produtos, através da gravação de suas iniciais, de forma que o cliente possa ter algo único, para chamar de “seu”. Também, numa época em que ninguém fazia isso, abriu filiais em destinos luxuosos dos ricos como Bordeaux, Biarritz e Monte Carlo.
Depois desse episódio do mercado posso dizer que o luxo está aqui. Não me surpreenderia se visse novamente essa mesma moça usando também um
intrecciato da
Bottega Veneta em algum lugar comum e normal; apenas admiraria.
Confesso que, na minha presunção, quase me senti o próprio
Vermeer “vislumbrando” a Moça com Brinco de Pérola... Na verdade, como disse
Will Smith em “Hitch”, esse sou eu sendo eu mesmo, vendo e admirando o que é belo, o que é fausto e o que agrada aos meus olhos.
Não vi a “Moça com Brinco de Pérola”. O que vi foi a “Moça com Bolsa Azul”...
Por Giancarlo Zanotto
Giancarlo Zanotto é formado em Administração, Computação e Moda, Pós-graduado em Gestão de Negócios, Neurolinguística, Moda e Comunicação. Ainda é Consultor de Marketing e atua na área de Desenvolvimento de Novos Produtos e Coleções. Também é diretor da Shout, empresa focada em design e inovação em produtos, serviços e embalagens: www.shout.tc
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