Notícia cadastrada em: 01/08/2011 - 17:10:07
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Giancarlo Zanotto: da Bíblia, dos Reis e outros luxos

O marketing encarrega-se de criar mitos e Hollywood fez bem sua lição de casa. Seus filmes contribuíram para o aparecimento dos astros e de pessoas que influenciaram toda uma geração. Um exemplo é a antológica cena do filme Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany´s), onde Holly Golightly (Audrey Hepburn) é uma prostituta de luxo. Cada vez que estava triste e na intenção de fugir dos problemas, corria para frente da vitrine da Tiffany, uma das mais luxuosas joalherias do mundo. Através desse refúgio, Holly deleitava-se num mundo de beleza e sonho. E aqui fica a pergunta: qual é a sua, a minha Tiffany? Creio que toda pessoa carregue dentro de si um pedacinho da “Holly Golightly”.

Desde os primórdios da civilização verifica-se essa necessidade do luxo. E isso comprova-se antes da domesticação das plantas e dos animais. Grupos de arqueólogos constataram que já no período paleolítico os habitantes se preocupavam com ele, seja em forma de vestimentas ou de objetos.

Na própria Bíblia (Êxodo, capítulo 39), encontramos um vasto arsenal de referências. Ali, a roupa já era sinônimo de status, poder e classe social. Durante todo esse livro, é transcrito a forma como Deus, através de Moisés, deu as instruções específicas sobre o feitio das roupas sacerdotais. O nível de detalhamento é extremo, passando pela confecção do colete, do peitoril, da estola e das demais vestes. Também é relatado o tipo de tecido, linha para costura, cartela de cores e sequência operacional.

Novamente se verifica isso quando se estuda a vida do Rei Salomão, onde nunca houve um período de tamanha abastança como naqueles dias. Não se pode sequer cogitar o fausto, sem mencionar o que está descrito em I Reis, capítulo 10:

[...] A Rainha de Sabá soube da fama que Salomão tinha alcançado, graças ao nome do Senhor, e foi a Jerusalém para pô-lo à prova com perguntas difíceis. Quando chegou, acompanhada de uma enorme caravana, com camelos carregados de especiarias, grande quantidade de ouro e pedras preciosas, fez a Salomão todas as perguntas que tinha em mente. [...] Vendo toda a sabedoria de Salomão, bem como o palácio que ele havia construído, o que era servido em sua mesa, o alojamento de seus oficiais, os criados e os copeiros, todos uniformizados, e os sacrifícios que ele fazia no templo do Senhor, ficou como fora de si. [...] Deu ela ao rei cento e vinte talentos de ouro, e muitíssimas especiarias, e pedras preciosas; nunca mais veio especiaria em tanta abundância, como a que a rainha de Sabá ofereceu ao rei Salomão.

Também as naus que de Ofir (região da Arábia) transportavam ouro, traziam de lá grande quantidade de madeira de sândalo e pedras preciosas.

O peso do ouro que se trazia a Salomão cada ano era de 23.300 quilos de ouro, além do que entrava dos vendedores, e do tráfico dos negociantes, e de todos os reis da Arábia, e dos governadores da terra.


Fez o rei Salomão duzentos escudos de ouro batido, utilizando em cada um deles três quilos e seiscentos gramas de ouro. Fez também trezentos pequenos escudos de ouro batido usando um quilo e oitocentos gramas de ouro para cada escudo. E o rei os pôs na Casa do Bosque do Líbano.

Fez mais o rei um grande trono de marfim e o cobriu de ouro puríssimo. O trono tinha seis degraus; o encosto do trono, ao alto, era redondo; de ambos os lados tinha braços junto ao assento e dois leões junto aos braços. Também doze leões estavam ali sobre os seis degraus, um em cada extremo destes. Nunca se fizera obra semelhante em nenhum dos reinos.

Todas as taças de que se servia o rei Salomão para beber eram de ouro, e também de ouro puro todas as da Casa do Bosque do Líbano; não havia nelas prata, porque nos dias de Salomão não se dava a ela estimação nenhuma.

[...] Assim, o rei Salomão excedeu a todos os reis do mundo, tanto em riqueza como em sabedoria. [...] (1993 p. 316).

Transcrito isso, lembrei de um artigo que li recentemente onde dizia que se fosse atualizado para valores atuais, o templo que Salomão construiu chegaria facilmente a quinhentos bilhões de dólares.

Hoje, não temos mais Salomão ou seu templo luxuoso. Ainda somos seus aprendizes. O máximo que poderia ocorrer dentre os atuais famosos, é como Giorgio Armani através de sua moda, ter sua obra exposta em museus como o Guggenheim de Bilbao ou de Nova York.

Quem sabe se Holly Golightly também tivesse conhecido o Templo de Salomão nunca mais faria seu Desayuno en Tiffany's. Provavelmente estaria de mãos dadas com a Rainha de Sabá, andando por Jerusalém, como que fora de si depois de ver tudo o que viu.

Por Giancarlo Zanotto


       
Giancarlo Zanotto é formado em Administração, Computação e Moda, Pós-graduado em Gestão de Negócios, Neurolinguística, Moda e Comunicação. Ainda é Consultor de Marketing e atua na área de Desenvolvimento de Novos Produtos e Coleções. Também é diretor da Shout, empresa focada em design e inovação em produtos, serviços e embalagens: www.shout.tc

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comentários

2 pessoas comentaram a notícia Giancarlo Zanotto: da Bíblia, dos Reis e outros luxos
Juliano Postado em: 03/08/2011 - 20:53:54
Parabéns a este artigo!! de excelente qualidade. Parabéns ao site por trazer pessoas feras como GianCarlo
DEODETE PACKER VIEIRA Postado em: 02/08/2011 - 09:18:29
Parabéns! Venho acompanhando os artigos publicados pela Midiamoda e posso constatar a acelerada evolução do que Gian Zanotto produz. Seu conteudo está cada vez mais interessante - evidencia concreta de profunco conhecimento, consolidado - e sua forma de escrever cada vez mais alinhada com com sua real capacidade de expressão. Excelente. Mal posso aguardar pelo próximo. Parabéns uma vez mais a este veiculo de comunicação, por ter o Gian em seu grupo de especialistas.
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