Caro leitor:
Por favor, antes de iniciar a leitura do texto, gostaria que você desse o play no link a seguir:
Cortar. Rabiscar. Dobrar. Desenhar. Colorir. Escrever. Desabafar. Confessar. Anotar. Compartilhar. Relembrar. Marcar.
Conto com um amigo do coração desde meus 12 anos. Descobri-o por acaso, em um dia difícil. Desde então, nunca mais o deixei de lado. Compartilhar com meu amigo minhas pequenas experiências, dores, alegrias e incompreensões me serviu como uma espécie de terapia. Dificilmente errava novamente depois de anotar tudo em meu caderno e ficava aliviada quando terminava de escrever, pois o aperto no peito saía voando rapidinho. Nos momentos de felicidade, ele me ouvia como ninguém. Continha, dentro de si, uma montanha-russa. Nunca vi tanta alegria e tanta tristeza em um mesmo lugar. Mas o que importa é que ele sempre estava lá me esperando, de “páginas” abertas!
Aos poucos, descobri que, além de ótimo amigo e bom ouvinte, meu amigo, meu “caro caderno”, poderia me levar ao passado e me fazer sentir, de novo, a mesma sensação de felicidade que tivera em um determinado momento... Ele me “contava” sobre como me encontrava naquela situação, e eu podia sentir tudo novamente. Assim, da mesma forma que lia alegrias e me sentia alegre, também lia meus momentos de tristeza e ficava triste. Pois bem, ao ler meus momentos de tristeza novamente, pude avaliar o que valia a pena sentir, como um momento de fragilidade pode nos fazer ver as coisas distorcidas e que esses momentos são tão necessários para o autoconhecimento quanto a alegria. Não poderia dizer que são mais importantes, pois “é melhor ser alegre que ser triste”, como dizia Vinicius.
Crescendo e escrevendo. Escrevendo e crescendo. E assim, a cada dia, percebia a importância do meu “caro caderno”. Mudei-me, aos 16 anos, para Blumenau, e meu amigo mudou comigo; me formei na universidade, e ele se formou comigo; viajei, e ele viajou comigo; voltei, e ele voltou comigo... Fico tocada em pensar que ele sempre me acompanhou. Ele contém as besteiras de uma pré-adolescente de 12 anos, as besteiras de uma viajante do mundo... Falando em besteiras, enquanto viajava por lá e acolá, adorava levá-lo aos lugares que sempre sonhei conhecer e, nesses lugares, costumava ler um episódio adolescente engraçado (agora)... É incrível saber que, dentro de nós, possam ter tantas pessoas, mas que sempre seremos a mesma criança. Seu “caro caderno” pode presentear você com isso: você raramente se perde e esquece a sua criança.
Há alguns dias, ao riscar meu grafite com a folha, como de costume, a trilha sonora ficou por conta de Toquinho: O Caderno. Ninguém melhor que Toquinho para ilustrar o que sinto por este “montinho” de folhas que conta histórias. E nada melhor, para convencer você, que ainda não tem seu “amiguinho”, o “caro caderno”, a começar um imediatamente!!! Sabe aquela “viagem” que acontece às vezes com você no ponto de ônibus ou em uma sala de espera? Aquela de cujos detalhes você geralmente se esquece, pois não os escreveu? Frases que você leu na rua, gostou e não anotou? Ideais originais ou, mesmo, pensamentos soltos? A pena de um pássaro que você encontrou no chão e inspirou você? A foto de um dia legal? Um rabisco? Você se esquece, perde, deixa “pra lá” e, muitas vezes, não dá uma segunda chance para pensamentos que poderiam dar certo.
Simples atitudes podem mudar sua forma de ver as coisas. Lembranças em um velho caderno podem gerar inspirações autênticas, únicas e exclusivas. Muitas ideias não são aplicáveis no momento em que você as tem, mas poderão ser brilhantes após algum tempo de amadurecimento e reformulação. Faça algo novo, que desafie sua rotina: deixe de lado o computador e escreva! Escreva em seu caderno e desfrute o perfume único da mistura do grafite, da caneta e do papel. Pequenas mudanças abrem os seus olhos para uma nova possibilidade. Então... Corte. Rabisque. Dobre. Desenhe. Colore. Escreva. Desabafe. Confesse. Anote. Compartilhe. Relembre. Marque.
Por Gabriela Lenzi

Gabriela Lenzi descobriu sua paixão pela arte e pela moda ainda criança. Aos 17 anos ingressou na universidade e aos 21 graduou-se em moda. No mesmo ano mudou-se para Florença (Itália) onde cursou o mestrado em arte na moda na Accademia Italiana di Moda Arte e Design. Muito foi o conhecimento adquirido em sua vivência no exterior: viagens de pesquisa de moda e comportamento, parcerias com empresas renomadas na Itália e no mundo e estágio em um laboratório design.
Gabriela Lenzi é designer de moda, chapeleira e proprietária da marca que leva sua assinatura. A marca é dividida em 4 segmentações: Coleção Autoral, Noiva & Festa, Coleções Personalizadas e Chapelaria. O vício por viajar, conhecer e analisar comportamentos continua sendo sua inspiração. Quer conhecer mais sobre seu trabalho? www.gabrielalenzi.com.br
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