Nenhuma inspiração. Nada. Em lugar nenhum.
Todos passamos por “momentos inspirativos zero”. O problema é que, quando nós, criadores, pessoas responsáveis por transformar informação em matéria e produto, nos vemos presos em um “buraco negro criativo”, é inevitável o desespero. Certo?
Certo. Você pensa em qual outra profissão poderá ter êxito (para os mais desesperados!), já que perdeu toda a inspiração e seu futuro se encontra comprometido!
– Meu Deus, e agora?!
Gosto muito de compartilhar minhas incertezas e de saber, das mais diversas tribos, qual é o medo. Conversando informalmente a respeito com um colega apaixonado por Física, expressei minha falta de inspiração naquele momento e ele soltou a expressão:
– “Buraco negro criativo.”
“De acordo com a
Teoria Geral da Relatividade, um buraco negro é uma região do espaço da qual nada, nem mesmo a luz, pode escapar.” (Fonte: Wikipedia)
– Isso! Exclamei no mesmo momento!
Ao prosseguir a breve leitura, me deparei com a seguinte frase: “[…] um buraco negro é limitado pela superfície denominada horizonte de eventos, que marca a região a partir da qual não se pode mais voltar.” (Fonte: Wikipedia)
“A partir da qual não se pode mais voltar.” (?) “Não se pode mais voltar, não se pode mais voltar, não se pode mais voltar…” ficou martelando em minha cabeça… Parei de tentar me encontrar e resolvi me perder. Aliás, tentei nem pensar mais nisso e fui fazer o que mais gosto: Viver! Além do mais, já estava mesmo no “buraco negro criativo”. Quebro minha cabeça, muitas vezes tentando analisar tudo, querer saber tudo e isso não nos leva mais do que a uma neurose.
Deixei-me fazer o que estava “a fim”. Sem pressão, sem cobrança…Vi meus filmes favoritos, cozinhei, cuidei das minhas plantas, voltei para casa, conversei com crianças do interior, desenhei com elas, respirei ar puro e “plim”! Comecei meu processo de passagem à vida normal, mas me enxergando diferente, sentindo diferente.
Um grande amigo me contou, uma vez, que, quando era criança, brincava com “o nada”. Enquanto os adultos conversavam e ele tinha de esperar, pegava o que havia no chão, como, por exemplo, duas folhas, e era capaz de passar horas fazendo as duas voarem com sopros para ver qual vencia. O que são duas folhas secas no chão para você? Nada? Você passa e pisa sobre elas sem ao menos notar?
Descobri, no fim daquele período, que, realmente, após entrarmos em um “buraco negro criativo”, não podemos mais voltar ao que éramos antes, a pensar como antes. O “buraco negro criativo” leva você a uma outra realidade, o eleva a um outro nível e faz uma repaginação em você, criativo.
O momento de inspiração zero pode ser o início de uma ótima fase criativa. O nada. Pode ser tudo.
Por Gabriela Lenzi

Gabriela Lenzi descobriu sua paixão pela arte e pela moda ainda criança. Aos 17 anos ingressou na universidade e aos 21 graduou-se em moda. No mesmo ano mudou-se para Florença (Itália) onde cursou o mestrado em arte na moda na Accademia Italiana di Moda Arte e Design. Muito foi o conhecimento adquirido em sua vivência no exterior: viagens de pesquisa de moda e comportamento, parcerias com empresas renomadas na Itália e no mundo e estágio em um laboratório design.
Gabriela Lenzi é designer de moda, chapeleira e proprietária da marca que leva sua assinatura. A marca é dividida em 4 segmentações: Coleção Autoral, Noiva & Festa, Coleções Personalizadas e Chapelaria. O vício por viajar, conhecer e analisar comportamentos continua sendo sua inspiração. Quer conhecer mais sobre seu trabalho? www.gabrielalenzi.com.br
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