vi.tri.na -
sf (fr vitrine) 1. Vidraça, por trás da qual se expõem mercadorias que estão para serem vendidas.
2. Espécie de caixa com tampa envidraçada, ou armário com vidraça móvel, em que se resguardam objetos à venda. (Fonte: Michaelis Dicionário on-line).
Meu interesse por vitrinas começou a ser maior quando percebi que os produtos expostos não eram somente peças de roupas, mas comportamento humano, nu e cru, disponível a quem quiser observar.
Na última sexta-feira, caminhando de volta para casa, parei para ver a vitrina de uma marca muito conhecida e desejada pela maioria das mulheres. Com vidros amplos, que permitiam ver tudo o que se passava dentro desse templo, fui surpreendida por um casal lindo, com aparência de casal de cinema antigo, que se abraçava, beijava… e que, logo depois, entrou nessa mesma loja.
O que mais me chamou a atenção foi que aquela jovem senhora, atenciosa e amorosa com seu marido, mudou quando pôs o primeiro pé dentro da loja: ela simplesmente não o via mais! Foi como se ele tivesse evaporado e ela, entrado em algum tipo de paraíso surreal. Ela não tinha olhos para mais ninguém, a não ser para aquela linda bolsa com letras “c” entrelaçadas.
Quando percebi o “parque de diversões” disponível em cada vitrina da longa rua, comecei a dedicar um tempo para cada uma delas e, desde então, quando posso, corro para apreciar a “delícia humana”. A observação feminina, principalmente em relação ao consumo moda, me atrai irresistivelmente! Longe de mim julgar e banalizar esse comportamento que nos é trazido desde os primórdios e faz parte da nossa história e genética.
Cada vitrina conta uma história. É como se você pudesse ver um outro mundo lá dentro (e não deixa de ser). Então, lembrei-me do filme “
Patch Adams - O Amor é Contagioso”, em que um senhor do manicômio ensina
Patch Adams a ver além dos quatro dedos. Assim, enxergando além dos quatro dedos, ele passa a ver oito.
É inútil pensar em moda e descartar o percurso humano, a vida, a história, a arte, a geografia… Cada loja terá uma “vitrina” diferente, cada país terá uma “vitrina” diferente, cada observador verá a “vitrina” que seus olhos e coração permitirem. Vá e veja com seus próprios olhos! Não espere que as revistas e os sites digam tudo a você. Saia de casa e sinta. Especialmente você, observador, curioso e eterno estudante de moda: procure uma vitrina e veja além dos quatro dedos.
Por Gabriela Lenzi

Gabriela Lenzi descobriu sua paixão pela arte e pela moda ainda criança. Aos 17 anos ingressou na universidade e aos 21 graduou-se em moda. No mesmo ano mudou-se para Florença (Itália) onde cursou o mestrado em arte na moda na Accademia Italiana di Moda Arte e Design. Muito foi o conhecimento adquirido em sua vivência no exterior: viagens de pesquisa de moda e comportamento, parcerias com empresas renomadas na Itália e no mundo e estágio em um laboratório design.
Gabriela Lenzi é designer de moda, chapeleira e proprietária da marca que leva sua assinatura. A marca é dividida em 4 segmentações: Coleção Autoral, Noiva & Festa, Coleções Personalizadas e Chapelaria. O vício por viajar, conhecer e analisar comportamentos continua sendo sua inspiração. Quer conhecer mais sobre seu trabalho? www.gabrielalenzi.wordpress.com
Artigos assinados são de responsabilidade dos autores, não expressando necessariamente a opinião do Portal mídiamoda.