O empresário
Ivo Rosset deu uma entrevista ao jornal
Folha de São Paulo falando sobre a inoperância do nosso Governo quanto aos clamores dos empresários brasileiros: "Governo não age para evitar a desindustrialização", diz Ivo Rosset (link para matéria:
http://bit.ly/qj2qgJ).
"Um dos primeiros empresários a apoiar o PT diz que não vê ação contra concorrência chinesa... 20 anos para reduzir impostos; 'EUA choram hoje fim da indústria’, dono da Valisére e da Cia. Marítima."
Eu concordo, com reservas... Eu concordo com o empresário quanto à necessidade de criar competitividade para as indústrias nacionais, principalmente às pequenas e médias, mas, também creio que está na hora dos brasileiros usarem mais criatividade, parar de só reclamar e ir à luta por novas formas de fazer negócios.
Tem muita gente boa lá fora também! E estão querendo fazer negócios conosco, mas, muitos de nós estamos enxergando eles apenas como concorrentes. Produtividade garante pontualidade. Indústrias com tecnologia de ponta. Muitos deles não querem vender diretamente aqui. Se soubermos aproveitar o investimento e a experiência que eles já acumularam, seremos mais competitivos e menos chorões.
Já vi esse filme antes... Por que não vê-los também como potenciais aliados? Por que não aproveitar os benefícios de parcerias saudáveis e bem elaboradas e continuar ampliando a nossa capacidade de distribuir internamente ao nosso próprio mercado, tão carente de produtos novos e mais competitivos?
Não se pode esquecer que sem a concorrência externa, os grandes produtores nacionais também fazem o mesmo com os seus patrícios internos principalmente com os pequenos. Sobem seus preços e fazem sua "mão de ferro" pesar sobre os clientes da "reserva de mercado" verde a amarela, como foi no passado no setor têxtil dos anos 70/80 e com a informática, pela qual até hoje pagamos o preço do atraso que vivemos hoje em comparação com os parques produtores desses "ameaçadores".
Tem empresa no Brasil querendo competir com teares de madeira contra teares computadorizados e acham que terão alguma chance, embora eu saiba que não é esse o caso na
Rosset, mas esta é a realidade de muitos que reclamam da concorrência, pois desejam a reserva de mercado, onde não exige esforço para competir.
A lição dos pescadores: salmão x cação
Cação dentro do tanque do navio pesqueiro faz o salmão se "mexer" para ficar vivo e alerta. Será que isso não vale para nós também? Como os navios pesqueiros japoneses usam o cação predador no tanque para manter vivos e em movimento os salmões capturados, para que cheguem vivos ao porto e sejam consumidos ainda frescos, assim, os fabricantes chineses, indianos, paquistaneses, vietnamitas e tantos outros asiáticos ou não ajudam nossos empresários a se mexerem em busca de mais competência e não "dormir em berço esplêndido", soberbos por serem donos de um "mercado interno" maravilhoso que cresce como nunca.
É verdade, temos que criar algumas regras e procedimentos para desonerar nossa produção, mas também acabar com o "cassino bancário" que cobra juros a taxas que afronta a lei da usura. Por que estas leis também não são cumpridas nem mencionadas? Porque a função dos bancos deixou de ser emprestar dinheiro?
Temos que passar o país a limpo sim, mas precisamos parar de achar que nossos problemas serão resolvidos com ação unilateral, precisamos fazer a lição de casa, como os asiáticos fizeram e continuam fazendo. Eles investem e não estão acostumados com retorno de investimento em 24 meses, ou antes, e lucros exorbitantes. Eles ganham no volume e trabalham muito.
Eles têm muita coisa boa a nos ensinar também. Não está na hora de aprender com eles? A nossa nação é uma criança comparada aos milênios de existência desses povos.
Por Edson Jaccoud
Edson Jaccoud é especialista em marketing pela ESPM-SP, construiu sua carreira nas áreas de vendas e marketing em empresas de grande expressão nacional ocupando cargos executivos. Lançou no mercado várias empresas no segmento de confecções tais como: Transport, Bloomie’s e Primetex, Corpo e Arte, Dijon, Século XX entre muitas outras, líderes no segmento têxtil em Jeans, activewear e de roupas íntimas.
Dirige a Regional Sul da Three Sale, uma organização essencialmente voltada a buscar resultados em vendas através de ações de promoção, venda, marketing e merchandising, com forte viés tecnológico, que atua como um departamento de promoção e marketing terceirizado. A Three Sale trabalha como um braço da empresa cliente: www.threesale.com
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